Dicas para fotografar na cidade sem ter sua câmera ou smartphone roubados

Toda vez que vejo uma revista internacional falando sobre Fotografia Urbana fico impressionado com a falta de informações sobre segurança. Como sou Brasileiro essa é uma questão crucial tanto nos fins de semana comuns em que coloco os pés na rua com minha câmera ou smartphone quanto foi ao fotografar o último Carnaval. Tudo bem que fazer Street Photography na Finlândia ou no Japão deve ser mais seguro do que falar com a sua prima pelo celular de dentro da sua casa mas nós sabemos que o mundo como um todo não é exatamente um playground.

 

Foto tirada de dentro da relativa segurança de um automóvel na Av. Paulista

 

Já falei sobre o que significa Street Photography aqui no blog mas acho que a questão da segurança merece um pouco mais de aprofundamento então que tal falarmos um pouco sobre isso?

Algumas dicas são fundamentais:

  • Informe-se sobre a situação da segurança pública na cidade que você pretende fotografar. Esse conselho parece bobagem mas não é pois muitas vezes a sensação de segurança ou insegurança que temos em algum lugar não é reflexo da realidade. Por exemplo é muito comum que se fale que a Europa como um todo é segura mas é muito comum encontrarmos Brasileiros que dizem que sofreram seu primeiro assalto na Italia! Pergunte sempre para os habitantes locais ou os funcionários do hotel onde você vai ficar quais partes da cidade são seguras e depois faça uma escolha baseado na relação custo/benefício pois as melhores imagens que você pode obter considerando o seu estilo fotográfico podem estar nos lugares mais perigosos. Aí é com você…

 

  • Caso você vá fotografar na sua própria cidade pense em como ela se relaciona com você. Em cidades pequenas onde todos se conhecem é de bom tom explicar aos vizinhos o que você está procurando fotografar. Se você fotografa cotidianamente a paisagem da sua cidade você acaba sendo conhecido e isso pode facilitar (ou dificultar) a busca por imagens mais expontâneas. Essa dica também se aplica em cidades muito grandes onde os bairros acabam que se comportando como pequenos “feudos” onde mesmo sem se conhecer os vizinhos sabem bastante da vida uns dos outros.

 

  • Em lugares perigosos utilize câmeras que não chamem muito a atenção tanto para que elas não sejam roubadas quanto para que você não seja agredido. A Canon acabou orientando todo o design da sua série Powershot G para produzir câmeras que pudessem ser utilizadas em áreas de conflito como no Iraque sem chamar atenção e ainda assim produzindo imagens de qualidade suficiente para uso pela imprensa internacional. Atualmente existem muitas câmeras compactas que apesar das dimensões superam em qualidade de imagem até mesmo equipamento convencionais do tipo DSLR. E não se esqueça também das câmeras analógicas do tipo Reflex que podem ser encontradas por preços muito baixos e que mesmo se forem roubadas não serão tão insubstituíveis assim (claro que não estou falando de raridades ou câmeras de coleção). Outro dia mesmo vi uma mocinha bem franzina andando tranquilamente com uma câmera reflex antiga e um flash “eletrônico” pendurados no pescoço nas proximidades da Avenida Paulista à noite. Fiquei com inveja de sua tranquilidade…

 

  • Tome muito cuidado ao escolher uma determinada cena. As vezes até mesmo pessoas que nem sequer são o alvo da fotografia ficam cismadas e vem tirar satisfação sobre o que o fotógrafo está fazendo ali. Imagine então a reação que um anônimo fotografado ou um proprietário possa ter vendo um desconhecido apontando a câmera para seu estabelecimento ou imóvel? Use o bom senso tanto ao escolher o objeto da foto tanto quanto ao se comunicar com uma pessoa agressiva. Agora se a imagem tiver valor social, histórico ou jornalístico talvez você tenha o dever de fotografar mesmo sob “suspeição”. Preciso fazer um artigo sobre fotojornalismo…

 

  • Sempre ande acompanhado em suas andanças fotográficas. Um grupo de pessoas sempre cria mais riscos para um assaltante então a probabilidade de alguém pensar em roubar sua câmera ou smartphone logicamente deveria diminuir. No entanto lembre-se que no Brasil essa lógica as vezes não funciona e alguém imbuído de uma “fúria assassina” pode muito bem causar um belo estrago. Peça para seus acompanhantes observem as redondezas enquanto você tenta fotografar alguma situação. A percepção de que seus amigos estão prestando atenção no entorno e não nas suas fotografias pode desestimular um malfeitor mais atento.

 

  • Participe de reuniões conhecidas como “Saídas Fotográficas”. Esse grupos podem se formar de maneira informal, organizados por fotógrafos experientes, fotoclubes ou mesmo serem organizados por empresas e agências de viagem, coisa muito comum no exterior. Algum amigos e ex-alunos meus se organizam em grupos de redes sociais como o Saída Fotográfica onde também compartilham trabalhos e informações (inclusive meus posts o que agradeço de coração). Esses grupos são uma forma bem interessante de compartilhar diferentes pontos de vista sobre uma mesma paisagem urbana possibilitando ali mesmo a troca de experiências e reflexões sobre o ato de fotografar. Para fotógrafos do tipo “gregário” é um “must” como diria um certo amigo meu…

 

Um grupo de fotógrafos ingleses como este assusta qualquer meliante

 

  • Faça seguro dos seus smartphones, câmeras e lentes. Eu também faria um seguro de vida mas sou meio neurótico então um seguro sobre os equipamentos pode ser a diferença entre continuar fazendo Fotografia Urbana ou esperar até ganhar na loteria para comprar tudo de volta. E não se esqueça que alguns seguros cobrem também reparos porque você pode muito bem deixar sua câmera cair de cima daquele muro inacessível que está entre você e a melhor paisagem da cidade…

 

  • Reze e muito! Sim, caso você não seja ateu vale a pena pedir para que a espiritualidade superior dê um pouco de bom senso nessa sua sanha desesperada por aquela imagem que vai marcar todo o século XXI mas que vai também deixar você todo “lascado”. Pense nisso…