Previsões para o mercado fotográfico em 2017

O ano novo começa sob o signo do Galo no Horóscopo Chinês e isso significa um 2017 cheio de coragem, honestidade e ambição. Será um ano para quebrar barreiras e perder o medo e isso no mercado fotográfico pode significar muitas coisas diferentes e importantes. Vamos dar uma olhada nessas possíveis novidades.

 

Mercado internacional:

Desde 2012 o mercado de equipamentos fotográficos e serviços tem estado em franco encolhimento. As únicas notícias boas vem da relativa estabilidade nas vendas de câmeras DSLR e do aumento das vendas das câmeras Mirrorless (notadamente no sudeste asiático). Já o mercado de câmeras compactas e serviços para amadores e o público em geral simplesmente sumiu. Grandes redes de impressão de fotos na Europa e Estados Unidos desapareceram e as redes de lojas de rua foram duramente atacadas pelo comércio on-line. Em 2013 a cadeia de varejo de câmeras inglesa Jessops chegou a fechar para reabrir dois meses depois, mas sua estabilidade financeira ainda é um mistério.

Os fabricantes de equipamentos tem tentado de tudo para explorar a seu favor o maior responsável pela destruição do mercado de câmeras, o smartphone. Para isso muitos protótipos de câmeras conectadas foram lançados além de adaptadores para uso de câmeras de maior qualidade em smartphones simples, mas nada disso deu resultado.

Algumas tendências de design de câmera digital para 2017

 

Para 2017 a tendência é a continuação dos lançamentos com design retrô principalmente no campo das Mirrorless e talvez o surgimento de marcas chinesas novas, caso da Xiomi, fabricante de smartphones que lançou recentemente uma câmera Mirrorless no padrão M4/3. Novas lentes intercambiáveis mais baratas também são esperadas dos Chineses, notadamente os lançamentos da Yongnuo.

Já que a maior feira de lançamentos do setor, a Photokina, ocorrerá apenas em 2018 os fabricantes terão tempo para consolidar os lançamentos desse ano, caso da Olympus e da Fuji com seu novo sistema de grande formato GX.

Não podemos também esquecer que em 2017 o trauma que o terremoto de Kumamoto criou no mercado fotográfico com a destruição de uma boa parte das fábricas de sensores do Japão deverá ser superado, o que significa que a Nikon deverá entregar enfim seus novos modelos da linha DL anunciados ainda no começo de 2016.

Com a normalização da produção de sensores a Fujifilm deverá enfim superar o desabastecimento da sua X-T2 que o mercado sofre desde o lançamento da câmera na Photokina 2016. A procura pela câmera se tornou uma espécie de gincana onde é possível encontrar forums especializados na internet com informação dos revendedores que em determinado momento tem estoque do equipamento.

 

Photokina 2016, a maior feira do mercado fotográfico mundial acontece a cada dois anos em Colônia na Alemanha

 

Como 2017 é o ano do Galo talvez seja um bom período para as marcas tradicionais de fotografia entrarem para o campo dos smartphones também. Eu não me espantaria se marcas como Nikon ou Canon enveredassem por esse caminho principalmente agora que a Kodak (com marca licenciada) já lançou um celular voltado para a fotografia. De qualquer maneira o mercado de smartphones deve ter vários lançamentos com câmeras melhores. A moda agora são sensores de menor resolução, com 12 Mpx, mas com melhor captação de imagens noturnas e menos ruídos, tal como no Galaxy S7 e no iPhone 7.

Também deveremos ver uma leva de marcas novas oriundas da China, caso da Meizu, além de marcas nacionais como a Positivo lançando celulares mais baratos e com câmeras de boa qualidade.

Ah, e não vamos nos esquecer dos Drones equipados com câmeras. Alguns países já estão criando normas para sua utilização e controle da possibilidade de violação da privacidade que seu uso pode criar. É complicado estar sentado no seu apartamento e de repente aparecer aquele zunido típico na janela. Já passei por isso…

 

Mercado Nacional:

Bem, parece que continuaremos em crise no Brasil e os bons momentos do mercado fotográfico nacional de antes da Copa do Mundo e das Olimpíadas não vão voltar. Visando esses eventos e a imagem de mercado emergente que o Brasil projetava uma série de fabricantes se instalou no país montando linhas de montagem e estrutura de vendas mais abrangentes.

Em 2016 rumores de que a Nikon iria sair do país foram substituídos pelas notícias de seu enxugamento administrativo mas na prática ela não tem mais a mesma presença no mercado.

A Canon resistiu dada a base instalada de equipamentos e de sua tradicional presença mas a expansão de pontos de vendas parece ter sido freada. A Fujifilm focou apenas no mercado de suas câmeras instantâneas e equipamentos de impressão profissional. Outras marcas que já sumiram há muito tempo do mercado brasileiro como Casio, Panasonic e Olympus não devem voltar a aparecer por aqui em 2017.

O próximo ano deve ser também difícil para os fotógrafos profissionais. O excesso de oferta de serviços fotográficos como os de cobertura de casamentos e eventos acabou por canibalizar o mercado já estabelecido fazendo com que clientes mais interessados em preço do que qualidade ditassem os negócios.

O fluxo de interessados nas Faculdades de fotografia também diminuiu com a dificuldade de acesso ao FIES e a percepção de que cursos mais curtos do tipo profissionalizante (incluindo os cursos livres) tem boa aceitação como formação para o mercado.

As revistas de moda e as agências de publicidade também devem continuar diminuindo a demanda por serviços fotográficos dada a situação econômica e a diminuição de seus mercados. No caso das revistas a competição com a mídia online não tem sido favorável aos fotógrafos profissionais pois os novos meios de informação de moda pela internet ainda tem dificuldade em pagar bem por material fotográfico que será rapidamente substituído, dada a velocidade com o qual esse meio muda as informações.

O mercado de fotografia de moda também sofre com a redução do mercado de revistas e agências

 

O comércio informal de câmeras deve continuar a prosperar no Brasil de 2017. A capacidade de oferecer produtos por preços próximos aos encontrados no exterior dada a sonegação de impostos e outros custos (o famoso custo Brasil) deve dificultar mais ainda a vida de comerciantes estabelecidos (e honestos) e clientes, que muitas vezes são enganados comprando gato por lebre.

 

Desejos para o Ano Novo

Eu não sou profeta mas não precisa ser bidu para saber que no exterior o mercado fotográfico está numa crise de identidade e que no Brasil passamos pela maior recessão da história, então que tal aproveitarmos o Ano do Galo e nos reinventarmos?

Aqui no Blog estou dando cada vez mais espaço para informações sobre a fotografia com smartphones e aplicativos de manipulação de imagem para leigos pois os próprios visitantes pedem esse tipo de matéria, então vamos ouvir a voz do povo.

Apesar da situação caótica em que vivemos continuamos sentindo a necessidade de registrar nosso cotidiano e isso não irá mudar em 2017, portanto de um jeito ou de outro a fotografia vai continuar  acompanhando cada vez mais nosso dia a dia.

Eu vou tentar me preparar para isso e ver no final de 2017 se acertei alguma das minhas previsões.

Um próspero Ano Novo para todos!

 

2 comentários em “Previsões para o mercado fotográfico em 2017

  • dezembro 30, 2016 em 1:42 pm
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    Pelo que entendi, nada de novidades tecnológicas podem ser esperadas em 2017, certo?

    • dezembro 30, 2016 em 3:53 pm
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      Talvez não tenhamos grandes novidades do ponto de vista tecnológico mas a CES, a maior feira de eletrônicos do mundo, começa agora em 5 de janeiro e deve mostrar como anda o ânimo dos fabricantes. De qualquer maneira a pressão por novidades diminuiu muito com a saída da Samsung do mercado de fotografia digital no ano passado e com o surgimento de uma Sony mais conservadora em relação a novas apostas em equipamento. Só o tempo dirá.

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