Nikon encerra definitivamente vendas no Brasil

Pois é, o que todo mundo já esperava acabou tornando-se realidade. A Nikon anunciou através de seu site brasileiro que a empresa vai encerrar as vendas de seus equipamentos no país.

O lacônico anúncio informa que a partir de 31 de dezembro de 2017 a venda de câmeras, lentes e acessórios fotográficos para o mercado brasileiro, atualmente comercializados exclusivamente por meio da Nikon Store, será encerrada. Informa também que a assistência técnica e o atendimento ao consumidor continuarão funcionando.



Ainda segundo a empresa, “produtos em garantia, incluindo aqueles comercializados pelo e-commerce da Nikon do Brasil até o dia 31 de dezembro de 2017, continuarão com os períodos de garantia honrados. Para produtos fora da garantia a assistência técnica será fornecida com base nos custos aprovados pelos proprietários”.

 

Site da Nikon Store Brasileira com o anúncio do encerramento das atividades

 

E a imprensa internacional especializada foi a primeira a divulgar a notícia. Segundo o site Dpreview, “A Nikon decidiu cessar todas as operações de comércio eletrônico no Brasil, onde a empresa vende apenas suas mercadorias via e-commerce. Tradução: a Nikon já não comercializará câmeras, lentes ou acessórios no país. A única opção dos brasileiros será o mercado alternativo (grey market)”.

Ainda segundo o site, “A mudança faz parte da reestruturação em escala global da R&D, vendas e fabricação da empresa, e parece ser o primeiro passo para tirar completamente a empresa do Brasil”.



A Dpreview.com está se referindo à reestruturação mundial pela qual a empresa japonesa está passando, o que inclui o fechamento de sua fábrica na China, responsável por produzir algumas das câmeras compactas da Nikon e lentes intercambiáveis para câmeras DSLR.

 

Press release da Nikon sobre o encerramento das atividades de comercialização de equipamentos

 

As reações dos usuários e fãs das câmeras da Nikon vão desde o desinteresse até o desespero. É muito interessante o fato de que em alguns fóruns internacionais o caso tenha tomado grande repercussão. Muitos estrangeiros afirmam que o Brasil é um país pobre, que não comporta a presença de uma empresa desse tipo. Outros comparam o Brasil com o caso da Índia, onde a Nikon tem se expandido.

Os brasileiros colocam, por sua vez, que o problema é o excesso de impostos que duplica ou triplica o preço dos equipamentos eletrônicos em nosso mercado, a maior crise econômica já enfrentada pelo país, e a concorrência desleal com o “Grey market”, que em nossas terras está mais para contrabando mesmo.

Além disso, os comentários lembram outros detalhes importantes:

  • o encerramento da Copa do Mundo e das Olimpíadas no Brasil, como fator que diminuiu a necessidade da presença de empresas fotográficas no país;
  • o “Custo Brasil”, que os estrangeiros simplesmente não conseguem entender;
  • o fato de que as marcas menores como Olympus e Pentax já terem abandonado muitos mercados, inclusive o Americano no caso da Casio;
  • a lembrança de que durante mais de 30 anos a empresa T.Tanaka representou a Nikon no Brasil, coisa que poderá voltar a ocorrer;
  • a situação do resto da América do Sul, onde o Grupo Udênio é o representante oficial da Nikon;
  • a notícia de que a Amazon.com já começou a vender equipamentos eletrônicos no Brasil, através de parceiros que importam produtos de maneira independente;
  • a possibilidade de importação direta de câmeras e lentes através dos sites da BHphoto ou da Amazon americana, mesmo pagando mais que o dobro do preço por isso;
  • a situação em que a Canon controla mais de 90% do mercado de câmeras para fotógrafos profissionais no Brasil (não tenho como conferir esses dados…);



Eu preciso também lembrar que:

  • A Sony e a Fujifilm continuam com distribuição oficial de seus produtos no Brasil através de vários canais, inclusive lojas físicas;
  • A Canon ainda está fabricando vários modelos mais simples de suas câmeras DSLR no país, com distribuição até mesmo em algumas lojas de Shopping e redes de supermercados, além de contar com preços próximos ao do mercado internacional em dólar e a vantagem da compra parcelada.
Detalhe do site comemorativo de 100 anos da Nikon

 

E eu, o que acho disso?

Um pouco antes da Copa do Mundo de 2014 a Nikon havia inaugurado um quiosque “Show Room” para divulgar suas câmeras no Shopping Eldorado, em São Paulo. Eu achava esquisito que, apesar de contar com todos os modelos de câmeras da empresa disponíveis na época, o quiosque só vendia através do site da Nikon, para entrega posterior do equipamento.

Enquanto isso, bastava ir numa loja especializada em eletrônicos no mesmo Shopping e sair com uma Canon T5i ou uma T5, equipamentos populares até hoje no país. O que estou querendo dizer é: quantas vezes a Nikon perdeu uma compra por impulso?

E não venham me dizer que ninguém compra uma cara câmera DSLR FullFrame por impulso… Basta um parcelamento em 12 vezes no cartão que sempre tem alguém pedindo para ficar negativado no SPC/SERASA, hehehe.



No final de 2016 a Nikon fechou seu quiosque no Shopping Eldorado e parou de distribuir seus produtos de maneira oficial para outros revendedores no Brasil. Isso, no entanto, em nada afetou a distribuição de seus produtos na Rua Santa Ifigênia ou nas “feirinhas de chineses” da Av. Paulista.

É por isso que achei triste a notícia, mas no fundo não fiquei com tanto medo assim de nunca mais ver uma Nikon sendo vendida por aqui, seja lá de que maneira for.