O que podemos esperar da fotografia em 2018

Mais um ano se passou e lá vou eu de novo exercitar meus poderes de futurologia. Na realidade tudo anda tão estranho no mundo que minha capacidade de previsão anda muito prejudicada, então resolvi falar sobre generalidades.

Ao invés de falar das novas possibilidades tecnológicas, dos possíveis lançamentos de equipamentos e softwares e, principalmente, das mudanças estéticas no campo da imagem em âmbito mundial, resolvi falar do que realmente conta, ou seja, o que vamos fazer com a fotografia em 2018.

Será que vou acertar?

 

Vamos fotografar mais do que nunca!

É isso mesmo, tudo indica que a popularização maciça dos smartphones com câmera produziu imagens na casa dos bilhões durante 2017. Se ainda fosse necessário produzir filmes, revelar negativos e ampliar fotografias como nos tempos de outrora esse seria provavelmente um dos maiores negócios do planeta.



No entanto a maioria da imagens produzidas pelos bilhões de terrestres conectados vão, no máximo, movimentar o mundo das redes sociais. É interessante pois apesar de tudo essas redes ainda tem muita dificuldade de produzir lucros que não venham da publicidade online ou do aporte (ou aposta) de investidores bilionários.

E aí fica aquela dúvida: o que fazer com as toneladas de imagens tiradas com meu smartphone?

 

Os fotógrafos amadores vão estar mais “profissionais” do que nunca

Sim, essa é uma questão importante. Existem muitas classes de amadores, desde aquele que não sabe nem para onde está apontando a câmera até aquele que deixa um profissional tarimbado no chinelo, como eu, hehehe.

A questão aqui tem a ver com a qualidade das imagens que estão sendo produzidas nesse período da história. Quando a maior parte dos eventos está sendo registrada por pessoas sem conhecimentos artísticos e/ou técnicos em fotografia as chances de que imagens “icônicas” apareçam ficam reduzidas. Que impacto isso terá na compreensão de nosso presente pelas gerações futuras?



Como eu sou um otimista (nos momentos em que não penso em me matar, é claro) acredito que as pessoas estão começando a sentir necessidade de melhorar sua fotografia. Sinto isso até pelo sucesso do meu humilde curso de Fotografia com Smartphones…

 

A demanda pela fotografia profissional diminuirá mais um pouco

Pois é, você ainda compra revistas de moda? E revistas sobre viagens ou sobre decoração? Parece que qualquer informação pode ser encontrada na internet e isso está já algum tempo matando todo tipo de publicação impressa, meio tradicional de contratação de fotógrafos profissionais.

Já a fotografia de eventos ainda mantém um certo vigor, apesar da concorrência que tem jogado os preços dos serviços bem para baixo. Achei interessante uma informação que tive há alguns dias atrás: descobri que a contratação de um fotógrafo internacional muito conhecido, famoso mesmo, sai mais em conta do que a de um fotógrafo nacional também renomado, mas que não tem a mesma “aura”, digamos assim.



Outro mercado que também está florescendo é o de Fotografia de Formaturas. É preciso ter um pouco de cuidado em se especializar nessa área pois as empresas que atuam nesse mercado são muito competitivas, privilegiando o preço e o lucro em detrimento da qualidade.

Não vou entrar aqui na questão da economia, pois até a Espiritualidade Superior anda atordoada com os acontecimentos que temos vivido no Brasil. Sei lá o que vai acontecer, então só posso dizer que em tempos de crise nunca fez mal à ninguém tomar o maior cuidado possível com investimentos duvidosos que não dão retorno… Pense nisso!

 

A necessidade do fotógrafo dominar computação gráfica aumentará cada vez mais

No Brasil ainda é comum encontrarmos fotógrafos que retocam muito pouco suas fotos, ou até mesmo as repassam para um “retoucher” profissional. Já no exterior os fotógrafos, principalmente os mais jovens, tem se transformado no que eu chamaria de “Designers de Imagem”. Explicando melhor, é muito comum que um fotógrafo utilize recursos de computação gráfica para recriar suas próprias fotografias, adicionando efeitos, melhorando o aspecto visual e muitas vezes transformando uma imagem sem atrativos em algo surpreendente.



Para isso é necessário uma compreensão mais aprofundada do uso de processos de criação de imagens com HDR (High Dynamic Range), o uso do conceito de “Claridade” e “intensidade” nas conversões de arquivo de imagem no formato RAW, o uso de softwares alternativos ao Photoshop e ao Lightroom da Adobe e, principalmente, o uso de softwares especializados em efeitos especiais e simulações de filme analógico. Até Sebastião Salgado, o maior fotógrafo da atualidade, usa esse tipo de recurso.

Por enquanto em nosso país o “gosto” popular quanto a fotografia ainda não se aproximou desse padrão de imagem, mas quando isso acontecer (e vai acontecer) é melhor ficar preparado. A concorrência vai matar esse negócio de “uma ideia na cabeça e uma câmera na mão”, hehehe.

 

O conservadorismo dos fabricantes de câmeras aumentará

Eu tenho notado que várias das tecnologias inovadoras em fotografia propostas nos últimos anos desapareceram. Esse é o caso da câmeras do tipo “Light Field” produzidas pela Lytro, que permitiam que escolhêssemos o ponto de foco da imagem após ela ser fotografada, ou das câmeras do tipo “add on” para smartphones, como as Sony QX10 e QX100 ou a Olympus Air A01. Na realidade o que o mercado tem aceitado muito bem é o design retrô em câmeras avançadas, conceito muito bem implementado pela Fujifilm e pela Olympus.

Já empresas mais voltadas para o mercado profissional como a Canon e Nikon tem sido conservadoras no sentido de manterem o design de suas linhas muito próximo ao que era feito já desde os anos 1990 em suas câmeras analógicas. Além da possibilidade de uso de lentes intercambiáveis antigas nessas linhas, é interessante notar como uma câmera reflex de filme do início dos anos 2000 tem a forma e “look” muito próximos a uma DSLR (reflex digital) atual. Outro dia até enganei uma amiga, que só percebeu que uma antiga Nikon F50 não era digital quando observou que a câmera não tinha uma tela de LCD na traseira.



Acredito que ainda vamos conviver com esse formato de câmeras por muitos anos, mas no entanto convém lembrar que a maior parte das pessoas não vão nem saber que elas ainda existem, pois os smartphone (ou alguma coisa que nem conhecemos ainda) vai substituir a ideia de câmera fotográfica no imaginário popular. Isso eu sei…

 

Conclusões

Sabem de uma coisa? Meu horóscopo de hoje dizia que tudo estaria muito confuso, eu iria perceber que tudo é mais complexo do que parece, e mesmo assim eu insisti em escrever esse artigo, hehehe…

Mesmo assim acho que é possível esperar um ano cheio de surpresas e elas podem ser boas, afinal tudo depende do angulo em que vemos a realidade. Seja otimista, pelo menos você não sofrerá por antecipação como eu!