Você já ouviu falar das lentes Catadióptricas?

A notícia de que a Canon patenteou uma nova lente intercambiável com design Catadióptrico chamou a atenção do mundo fotográfico. Muita gente não entendeu do que se tratava e talvez apenas aqueles fotógrafos envolvidos com astronomia tenham compreendido a notícia.

Lentes Catadióptricas ou Reflex usam um sistema de espelhos para encurtar as dimensões necessárias na fabricação de uma lente teleobjetiva. Esse tipo de projeto de lente usa esse truque para “dobrar” o caminho que a luz percorre produzindo uma maior ampliação da imagem.

Camera Olympus com Lente Reflex ou Catadióptrica. Repare no “botão” flutuante sobre a lente.

 

Essa proposta produz equipamentos mais compactos e muito mais baratos do que as teleobjetivas convencionais, tendo como vantagem ainda o fato de que praticamente não produzem aberrações cromáticas na imagem. Esse recurso é também muito utilizado na construção de telescópios, como os do tipo Refletor Cassegrain, daí a familiaridade dessas lentes entre os astrônomos.



Parece uma maravilha, mas no fundo a coisa não é tão bonita assim.

Lentes Catadióptricas possuem várias desvantagens, como por exemplo o fato de que não é possível equipa-las com um diafragma padrão como o utilizado na lentes convencionais. O Espelho central da lente, uma espécie de botão que fica no centro da objetiva, impede o uso desse mecanismo.

Câmera Fullframe com lente catadióptrica

Além disso talvez seu grande problema seja a formação de elementos em forma de “rosquinhas” (Donut Bokeh, que chique!) no fundo desfocado da imagem, causados pela sombra do mesmo espelho central. Por incrível que pareça alguns dizem que foi por causa da presença dessas rosquinhas que o público desistiu desse design, fazendo com que essas lentes “saíssem de moda” ainda durante os anos 1990.

Exemplo de desfoque com elementos em forma de rosca

 

Exemplo de desfoque com elementos em forma de rosca

 

A Canon parece ter resolvido alguns desse problemas com essa nova patente. Segundo o site DPreview, a empresa desenvolveu um filtro de densidade variável do tipo “eletrocrômico” (seja lá o que isso signifique) e com ele é possível simular o mesmo efeito de controle de abertura obtido por um diafragma.

Ainda segundo o site, talvez esse design “pegue” no mercado devido ao fato de que ninguém aguenta mais carregar lentes pesadas e equipamentos chamativos.

Será? Eu mesmo nunca tive uma lente assim. Alguns anos atrás os chineses produziram muitas dessas lentes com abertura fixa e que podiam ser achadas por cerca de $100,00 dólares em sites como a Amazom.com. As opiniões dos compradores no site eram tão ruins sobre essas lentes que nem me atrevi a comprar uma para testar.

Eu confesso que até acho o design delas interessante. Aquele botão flutuante no centro da lente dá um ar de mistério ao equipamento: como é que aquilo fica flutuando? Como é que a sombra do botão não aparece na imagem final? Se eu apertar o botão o que acontece, hehehe?



Vamos esperar pelo lançamento da Canon, que talvez nem aconteça. Lembrem-se que patentear alguma coisa não significa necessariamente que se vá comercializar essa ideia…

Veja também o vídeo de 6:00 minutos que o canal Majestic Skies publicou e que mostra uma análise da lente Reflex 500 mm da Otpteka com a câmera Mirrorless Sony A6500. É possível ter uma boa ideia de como se fotografa e filma com uma lente dessas…

Obs.: O vídeo está em inglês, mas como sempre indicamos você pode ativar as legendas automáticas em Português, elas podem ser de muita ajuda para quem não domina essa língua. Note porém que alguns termos técnicos não são bem traduzidos.