Uma câmera para emprestar e pagar só pelas fotos

Uma ideia recorrente no mercado fotográfico é o de cobrar por imagem, e não pelo equipamento. Esse foi o caso da Love, câmera descartável comercializada no Brasil pela empresa Sonora no anos 1980.

O produto era anunciado como sendo gratuito, já que você pagava apenas a revelação e recebia em sua casa as fotos e uma nova câmera, pronta para fotografar. É claro que o preço da câmera já estava embutido no preço total do serviço fotográfico, mas para o público ficava parecendo que você só pagava pelas fotos.

A ideia de cobrar por imagem e não pela câmera é tão recorrente que uma “startup” americana adaptou este modelo comercial para o século XXI.

Câmera Relonch 291, toda “costurada” dentro de um estojo de couro

A Relonch é um empresa voltada para atender o fotógrafo iniciante ou amador, que não quer ter problemas em aprender a usar um equipamento fotográfico mais sofisticado. Ela chama seu serviço de “Photo Club”, onde o consumidor empresta uma câmera Relonch 291 gratuitamente.

Na realidade a câmera é um modelo do tipo Samsung NX, linha já descontinuada pelo fabricante mas com muitos recursos e boa qualidade de imagem. Por incrível que pareça a câmera fica “costurada” dentro de uma capa de couro em cores vivas, onde somente o visor, o botão do obturador e um regulador de dioptrias (para quem não enxerga bem) estão acessíveis.



A Relonch 291 vem equipada com uma lente fixa de grande luminosidade, ao invés de uma típica lente zoom. Essa lente fixa, provavelmente do tipo 30 ou 40 mm, f1/8 (não descobri ao certo) permite uma imagem muito nítida e um bom efeito de desfoque de fundo, pelo que vi nas imagens de exemplo.

 

Imagem de viagem obtida com a Relonch 291

 

A câmera não mostra (ou não tem, não sei) tela em LCD ou controles através de Menu, sendo que qualquer outra função fica inacessível ao usuário. É como se uma câmera Mirrorless sofisticada virasse uma outra do tipo “Aponte e Dispare” (Point-and-Shoot câmera, em inglês).

Mas como é que o sistema funciona, afinal de contas?



É fácil, ou parece ser. Você faz um cadastro na empresa e reserva para empréstimo uma das câmeras, por um determinado período de tempo. Ao retirar a câmera na loja própria da Relonch, em Palo Alto, Califórnia (É óbvio…), ou em pontos de retirada em alguns aeroportos, você emparelha a câmera com seu smartphone. Além disso você também recebe instruções sobre composição e como escolher melhor seus assuntos fotográficos com alguém focado em conversar com um fotógrafo iniciante.

A câmera usa uma conexão sem fio (dizem que é 4G, não entendi) para enviar automaticamente uma pré-visualização de cada foto tirada para um aplicativo que você deve instalar em seu smartphone.

 

Aplicativo da Relonch mostrando as fotos apenas em tom de Sépia

 

Essa pré-visualização é feita apenas para que você confirme se a composição e o assunto da foto ficaram bons, pois são imagens em tom de Sépia e tem marcas dágua, você não pode utiliza-las para nada ainda.

Através dessas visualizações você seleciona as fotos que valem a pena e que você deseja manter, pagando $1,00 dólar por cada imagem.



Então, como num passe de mágica, a imagem em estado bruto (RAW) é enviada para a tal da Nuvem da Relonch para ser processada, voltando então em toda a sua glória para seu smartphone. Sim, o processamento da imagem extrai o máximo de qualidade possível numa foto, coisa que um profissional levaria algum tempo e o uso de um bom conhecimento tecnico para fazer.

Exemplo do processamento de imagem feito pela Relonch

 

Segundo o site Dpreview, a Relonch resolveu com habilidade (termo deles) muitos dos problemas que os fotógrafos amadores sentem ao fotografar com câmeras mais sofisticadas, tais como:

  • Envio de imagens para o seu smartphone automatizado, coisa que normalmente é só para Inglês ver em muitos equipamentos. Eu mesmo não uso nas minhas câmeras, de tão chato que é…
  • Curadoria” (termo deles) feita no próprio momento da foto, ao invés de se voltar para casa com centenas ou milhares de imagens para serem escolhidas ou tratadas. Ao chegar, você já está apenas com suas imagens favoritas para serem apreciadas ou compartilhadas.
  • A lente fixa com grande abertura de diafragma (tipo Fast Prime) oferece muito mais profundidade de campo do que a típica lente zoom de kit (veja meu artigo sobre o assunto), permitindo bom desfoque. Aliás, na aula inicial de utilização da câmera, essa vantagem é esmiuçada para que o usuário possa utiliza-la da melhor maneira possível.

Tudo isso parece uma maravilha, mas o próprio DPreview.com coloca que existe um grande obstáculo nesse modelo de negócios. A Relonch pode ter se tornado possível pela uso do smartphone, mas essa é uma espada de dois gumes pois as câmeras de smartphone estão ficando cada vez melhores, o que simplesmente faria com que o negócio da empresa perdesse o sentido.



Eu particularmente não sei, pois como vivemos aqui por detrás da “Cortina de Ferro” (o Brasil parece a Russia Comunista!) não faço a mínima ideia de como funciona a cabeça de um libertário Hipster Californiano, público que talvez seja o alvo da Relonch. E diga-se de passagem, que nome é esse? Tem algo a ver com o relançamento (relaunch) das câmeras da Samsung?.

Sei lá… Se você não entendeu nada veja o vídeo que a Relonch postou sobre seu serviço em seu canal do Youtube.

Apesar das legendas em Inglês é bem fácil de compreender. No mínimo vale pela curiosidade…