Pete Eckert: um fotógrafo cego

Quem gosta muito de fotografia ou é profissional, já se perguntou como seria ter que abandonar as câmeras caso ficasse cego. É por isso que vale a pena conhecer a vida e o trabalho de Pete Eckert.

Quando ainda estava nos seus 20 anos, Eckert começou a sofrer de Retinite Pigmentosa, uma doença ocular degenerativa. Foi naquele momento que ele decidiu canalizar aquele sentimento de perda em uma forma de arte, através do auxílio de sua esposa.

 

Pete Eckert iluminando uma cena em campanha publicitária para Volkswagen

 

Naquele primeiro momento ele passava dias inteiros produzindo desenhos feitos à grafite além de entalhes de madeira, pedindo que sua esposa descreve-se o resultado enquanto ele trabalhava.

Foi dessa forma que Eckert começou a entender o resultado dos movimentos de sua mão na produção das imagens e formas que não via mais.

Segundo o site CNN Style, que publicou recentemente uma matéria sobre o fotógrafo, a busca por uma meio mais instantâneo de produção de imagem foi a maneira encontrada por Eckert para aliviar um pouco sua esposa, que segundo ele “já estava enlouquecendo” com aquele trabalho.



Segundo Eckert, “Quando comecei, as câmeras digitais ainda não haviam feito com que as lojas de fotografia de bairro desaparecessem”, disse ele à CNN pelo telefone, de sua casa em Sacramento, Califórnia. “Eu entrava na loja, comprava alguns filmes e fazia algumas perguntas. Ia todos os dias e ao fazer perguntas e receber respostas, eu aprendi a fotografar”.

Ainda segundo a CNN, mais de duas décadas depois de ter perdido a visão, Eckert estabeleceu uma carreira de sucesso como fotógrafo autodidata. Suas imagens impressionantes e fantasmagóricas já foram procuradas pela revista Playboy, que encomendou uma série de fotografias de nus “estranhos”, e pela Volkswagen, que recentemente contratou Eckert para fotografar um novo carro para uma campanha publicitária.

 

Nú artístico fotografado por Pete Eckert para a revista Playboy

 

“Eu vejo meu trabalho, e o movimento de Fotografia às Cegas, como uma extensão do movimento impressionista que ocorreu há mais de cem anos”, disse ele. “Muitos dos impressionistas tiveram problemas de visão, eles mostraram uma maneira diferente de interpretar as coisas. O movimento da Fotografia às Cegas é o próximo passo lógico”.

Eu particularmente nem sabia que um tipo de movimento assim existia mas, como não enxergo bem, é bom começar a me informar, hehehe.

Se você quer conhecer melhor o trabalho do fotógrafo cego visite seu site (em inglês).

 

Uma das imagens obtidas por Pete Eckert para a campanha da Volkswagen

 

Veja também o vídeo que a Volkswagen colocou em seu canal com o trabalho de Pete Eckert. O vídeo é muito bom e mostra o processo de criação de suas imagens. Ele, basicamente, fotografa totalmente no escuro andando em volta do automóvel, um Volkswagen Arteon, iluminando de vez em quando a cena em alguns lugares e criando efeitos que simulam o que alguém com a vista comprometida veria. É muito interessante!



Outro detalhe importante que vale a pena lembrar: muitas vezes não temos nenhum tipo de dificuldade física ou mental, mas reclamamos que não conseguimos ir em frente, que tudo é muito difícil.

Bem, eu sei que o Brasil não é fácil para ninguém mas, quando vemos uma pessoa que “não vê” fotografar e viver disso, é facil acreditar que tudo é possível.

Obs.: O vídeo está em inglês mas como sempre indicamos você pode ativar as legendas automáticas em Português, elas podem ser de muita ajuda para quem não domina essa língua. Note porém que alguns termos técnicos não são bem traduzidos.