Sebastião Salgado é considerado o maior fotógrafo da atualidade

Você sabia que o maior fotógrafo da atualidade é o brasileiro Sebastião Salgado? Pois é, o último número da revista inglesa Amateur Photographer, a mais antiga revista do gênero no mundo, dedicou sua capa ao fotógrafo dizendo claramente que ele é o maior fotógrafo vivo.

Segundo a revista Salgado é “The World’s greatest living photographer” e a admiração de seus editores por sua vida e trabalho estão estampados em uma matéria de 6 páginas que revela as opiniões e um pouco da trajetória desse fotógrafo que alguns brasileiros sequer conhecem.

 

Sebastião Salgado e a capa da revista Amateur Photographer

 

Recentemente Salgado participou de uma palestra no Photography Show da cidade de Birmingham, Reino Unido, apesar de estar mancando por causa de um joelho quebrado em uma recente viagem fotográfica à Amazônia. A palestra que conferiu nesse encontro foi o pano de fundo da revista centenária e ajuda a entender sua vida e seu trabalho. Vejamos alguns dos pontos colocados pelo fotógrafo:

 

Sobre a autoria da fotografia

Segundo a revista o início da palestra foi revelador do modo de pensar de Salgado quando ele afirma que ” Hoje em dia existem tantas câmaras maravilhosas mas isso é somente parte do que você precisa para fotografar. Provavelmente o mais importante é a sua própria história – nossas fotografias com nossos pais, nossa experiência de vida, de onde viemos, com toda a nossa herança ética e intelectual.”

E o fotógrafo continua: “Se você tiver 400 fotógrafos captando o mesmo momento e lugar você terá 400 fotografias diferentes. O quê nós temos que fazer é assimilar nosso trabalho como fotógrafos com a nossa personalidade”.

 

Sobre sua vida

Para quem não conhece o fotógrafo, Sebastião Salgado nasceu em Aimorés, Minas Gerais, em uma fazenda de gado completamente isolada. Segundo Salgado a cidade mais próxima ficava distante 8 ou 9 horas de viagem à cavalo e quando seu pai levava o gado para ser vendido a viagem durava 50 dias. Ele teve que se mudar para continuar seus estudos e acabou formando-se em economia. Viveu no Brasil até 1969 quando com sua esposa foi morar na França devido a ditadura militar. Lá fez um doutorado em economia e então mudou-se para Londres onde trabalhou na Organização Internacional do Café. Foi nessa cidade que resolveu que se tornaria fotógrafo.

A forma como isso aconteceu é interessante. Segundo Salgado “Lélia (sua mulher) estava estudando arquitetura e por causa disso comprou uma bela câmera Pentax. A primeira vez que olhei pelo seu visor em 1970 minha vida mudou completamente”.

Segundo a revista Salgado começou a fotografar seriamente enquanto ia para a África em várias missões econômicas ligadas ao banco mundial. “As fotos davam 10 vezes mais prazer do que escrever relatórios econômicos” disse.

Uma revelação de Salgado é a de quê todos os seus estudos se tornaram a mais importante fonte de recursos para sua fotografia pois ajudaram-no a entender de onde ele vinha e a entender as sociedades que ele estava fotografando.

Outro dado interessante revelado pela matéria é o de quê ele e sua esposa ensinaram fotografia por muitos anos no Japão onde diziam aos estudantes que a técnica é importante mas que eles deveriam voltar à universidade para estudar sociologia, antropologia, história, economia e geografia para melhor entender a sociedade da qual eles fazem parte.

 

famosa imagem obtida no Kwuait

 

Depois dessa experiência Salgado voltou a morar em Paris onde se associou a agência de fotografia Sygma. Foi durante essa época que ele consolidou sua reputação como um mestre da fotografia em preto e branco.

Segundo ele “Eu via imagens fantásticas feitas por alguns bons fotógrafos durante o tempo em que trabalhei com agências mas algumas não tinham nada mais a oferecer do que boas imagens já que eles (os fotógrafos) realmente não tinham um entendimento da sociedade na qual viviam”.

 

Sobre suas publicações

Em 1984 Salgado terminou seu primeiro livro, Other Americas sobre camponeses e nativos da América Latina. Depois trabalhou de 1984 a 86 em um projeto sobre a fome na Africa. Seu maior projeto na época foi Workers (publicado em 1993) sobre o trabalho manual sendo substituído pela automatização. No entanto foi sua história de vida que o levou a produzir seu maior trabalho, Exodus. Segundo a Amateur Photographer ele se mostra um economista ao descrever esses projetos: ” Uma função de produção é composta por três grandes variáveis. A primeira é o trabalho, a segunda a tecnologia e a terceira o capital. A mais importante é o trabalho pois é dela que surge a tecnologia. Capital é parte do pagamento do trabalhador. Meu projeto sobre a classe trabalhadora e o aumento da automação levou seis anos e nós visitamos mais de 30 países.” Segundo a revista sendo Brasileiro Salgado relacionava esse trabalho à própria experiência do país que havia sido transformado rapidamente de agrário em urbano.

O projeto Gênesis surgiu como fruto de uma exaustão do fotógrafo. Segundo ele ” Eu costumava ter uma crença positiva na humanidade mas cobrindo os conflitos em Rwanda e na antiga Yugoslavia eu vi muita brutalidade e violência”. Salgado entrou numa espécie de depressão e seu médico disse que ele vivia tão próximo da morte e da violência que ele estava morrendo também.

Resolveu voltar ao Brasil onde se envolveu com a preservação da natureza. Ele percebeu que a floresta em volta de sua própria fazenda havia sido destruída ao longo dos anos e resolveu recuperar a natureza e tentar transformar aquela área em um parque nacional. Como já era famoso conseguiu levantar dinheiro internacional para reflorestar mais de 100 espécies nativas diferentes.

 

Sebastião Salgado e esposa em um de seus projetos – fonte O Globo

 

Foi assim que, revigorado, Salgado iniciou o projeto Gênesis: “Algo como 46% do planeta ainda está como no tempo do Gênesis. Precisamos preservar o que existe ainda”.

Segundo a revista Sebastião Salgado demonstrava na Birmingham Photography Show um orgulho evidente quando pontuou que mais de 4,5 milhões de pessoas no mundo todo já viram as imagens do projeto Gênesis.

 

Capa do livro Gênesis publicado pela Taschen

 

Sebastião Salgado é um fotógrafo intrigante pois é considerado um grande artista apesar de nunca se colocar como tal. Quando fala ele sempre se revela como um fotojornalista e um ativista, alguém que está interessado em mudar o mundo em que vivemos. Outro dado interessante é a sua formação que envolve a área de humanidades e faz com ele tenha o olhar de um pesquisador sempre desvendando o fenômeno humano.

Já as críticas que existem a seu trabalho vão desde o fato de que ele não tem interesse nenhum em discutir suas fotografias do ponto de vista artístico (o que algumas vezes acaba fazendo com que o “Art World” sinta-se diminuído) até o fato de que na maior parte de seu trabalho ele funciona mais como um diretor de arte e relações públicas do que um fotógrafo (como se isso fosse um problema…).

De qualquer maneira é inegável o impacto que o trabalho de Sebastião Salgado causa nas pessoas e isso é um indicativo da qualidade e da potência que suas imagens terão na história da fotografia.

 

Veja também esse vídeo do canal da Editora Tachen sobre o livro Gênesis

Obs.: O video está em inglês mas como sempre indicamos você pode ativar as legendas automáticas em Português, elas podem ser de muita ajuda para quem não domina essa língua. Note porém que alguns termos técnicos não são bem traduzidos.

Para conhecer mais sobre Sebastião Salgado visite:

Seu site profissional: amazonasimages.com

Seu verbete na Wikipedia 

Vídeos sobre Sebastião Salgado no YouTube

 

Fontes: Amateur Photographer Magazinehttps://pt.wikipedia.org/wiki/Sebastião_Salgado