Um filme digital para sua velha câmera analógica

Pensando num post para o dia 1 de Abril lembrei de uma das mais esperadas e mais frustrantes promessas para o mercado fotográfico: o filme digital. Quando a fotografia digital surgiu os fabricantes de câmeras perceberam que não dependiam mais dos produtores de filme para produzir uma imagem de qualidade.

De fabricantes de equipamentos óticos essas empresas se transformaram em fabricantes de equipamentos eletrônicos deixando de fora do processo fotográfico os fabricantes de filmes que são por definição industrias químicas.

 

Conceito de cartucho de filme digital do designer Park Hyun Jin. Reparem no sensor bem no centro do cartucho.

 

Nessa época já surgiam algumas propostas de criar um modulo de sensor em formato de filme que pudesse transformar qualquer câmera analógica em câmera digital. Esse era um sonho que poderia preservar o alto investimento que muitos fotógrafos já faziam em equipamentos analógicos. Outro fator seria o de se poder preservar o uso de câmeras que por um motivo ou outro tem um valor sentimental para o fotógrafo.

 

Utilização do conceito de filme digital do designer Park Hyun Jin

 

Um dos primeiros projetos a surgir foi o do filme digital EFS-1 da Silicom Films ainda em 1998. Patenteado em 1991, previsto para 1997, apresentado em 1998 e 2001 além de estar supostamente pronto para ser comercializado em junho de 2001 o EFS-1 nunca apareceu de verdade.

O sistema EFS-1 consistia do um cartucho de filme digital, um dock para transferência de imagens para um PC e uma caixa de armazenamento temporário de imagens. O primeiro modelo do EFS-1 foi projetado para funcionar com câmeras Canon EOS ou para as câmeras Nikon N-90/F90 (sendo que as versões não eram intercambiáveis). O filme digital poderia capturar e armazenar 24 imagens em resolução total (gravando até uma imagem por segundo) e não exigia modificações no corpo da câmera para funcionar.

Em 2001 a Silicon Films chegou a abrir uma loja on-line para receber encomendas dos EUA e do Canadá mas antes de entregar qualquer produto entrou em falência.

 

Conceito de filme digital EFS-1

 

Falando ainda sobre filmes digitais um desses projetos que foi realmente uma brincadeira de 1 de Abril foi o do RE-35 digital cartridge. O projeto era lindo e foi divulgado em site próprio como sendo um avanço notável no campo dos sensores mas na realidade era apenas um projeto de design que não tinha fundamentação técnica ou comercial nenhuma. Atualmente no site do projeto uma janela pop-up explica ao internauta que o Filme Digital RE-35 é apenas uma brincadeira. É uma pena pois o RE-35 parece ser uma solução fantástica para a questão dos filmes digitais.

 

Filme digital RE-35

 

Outro projeto que só ficou no conceito foi o do designer Park Hyun Jin em 2011. Ele resolveu que um filme digital deveria ser contido em um cartucho único e que receberia a ordem para salvar a imagem através da alavanca de avanço do filme. Fora a forma do cartucho o designer não especificou nenhuma característica técnica nem detalhe sobre a parte eletrônica do equipamento.

Infelizmente ainda não houve um interesse sério por alguma empresa pela produção de filmes digitais. A indústria de câmeras não tem interesse em perder o mercado cativo que ela conseguiu roubar dos fabricantes de filme. Para quê trocar o sensor quando você pode pagar mais caro para trocar toda a câmera assim que a corrida dos megapixels nos levar a um novo patamar de resolução?

É por essas e outras que falar de filmes digitais dá uma boa matéria de 1 de Abril…